No limiar dos meus 50 anos, tinha decidido largar as bandas, dado que o corpinho já não aguentava. Afinal foram muitos anos, muitas formações, muitos palcos, muitos quilómetros, muitas noites perdidas ou mal dormidas, que conforme me disse um dia um grande músico, o Laureano, os anos me cobrariam.
Contudo apavorava-me a ideia de deixar de tocar, ou melhor, de não vislumbrar mais do que o cenário de tocar no sofá para consumo próprio ou em festas de amigos. Iria arrumar a Gibson e a Fender Tele, mais os amps na garagem, sem muita convicção. Enquanto isso o meu derradeiro conjunto, continuava os seus bailaricos. O Via Verde manteve-se até à passagem de ano de 2006 para 2007.
Nessa altura eu já estava minimamente preparado para a transformação, do eléctrico para o acústico. Uma noite em que fui jantar ao Baía, dou de caras com o modelo inspirador, os acordes suaves na viola, a excelente voz , os temas muito bem seleccionados para acompanhar a soberba cozinha da Dona Piedade, disseram-me naquele dia, é isto mesmo. O Vitor Paulo, foi a minha fonte de inspiração.
Passados uns meses, estava a tocar no Baía. Pelo caminho tive de começar a gostar e admirar o acústico, e a investir numa Fender DG 20CE, cujo set-up foi feito pelo Vitor, e aos poucos aprender a suavizar o modo agressivo com que por vezes atacava a guitarra, para não falar da voz. Tudo tinha de de harmonizar da forma mais suave possível, até ao ponto de se tocar e cantar com prazer, aquilo que se gosta, num volume tão baixo, que cativa quem escuta e saboreia. O Baía foi um local mágico. Nele aconteceram noites inesquecíveis. Ali aprendi, e reaprendi a tocar, e a cantar.
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