Admito que nunca fui à bola com a música pimba. Porque toquei muitos anos em grupos de baile, tive de gramar doses maciças de pimbalhada, pois a malta não dançava mais nada. No meu entender, eu, que fiz bailes desde o início dos anos 70, a cultura musical, em recintos de dança empobreceu bastante.
Num destes serões musicais de fim de semana, estava eu arrumar a tralha, e na mesa ao meu lado os resistentes da noite debitavam opiniões sobre os vários estilos de música, e, a dado momento, perguntaram-me sobre a dificuldade de compor. Eu tentei esquivar-me, mas lá fui dizendo que é questão de inspiração, e assim sendo, a dificuldade é conforme, umas vezes tremenda, outras inexistente. A excepção era mesmo a música pimba.
O que fui eu dizer!! Logo se levantaram duas vozes em defesa dos pimbas, e do génio criativo dos seus autores. Pelo que não tive outra saída, e desafiei - façam aí uma quadra, eu faço o refrão, e componho a música em 10 minutos no máximo, até me podem dizer se querem em tom maior ou menor (para eles isto do tamanho do tom era chinês).
Que não, que eu não ia conseguir. E apostou-se e tudo. Veio a quadra, banal e brejeira como convém, dei-lhe seguimento. Primeiro em do menor, para desaguar em maior no refrão. Foi coisa de 7 minutos, e um jarro de sangria por conta da mesa.
A estes ainda os desculpo, pois não sabem o que dizem. Mas mau mesmo são aqueles que dando uns toques, se acham supra-sumos da arte de tocar e compor. Que isto da veia artística, ou se tem, ou não há nada a fazer. E fica bem sempre a humildade, e a vontade de progredir sempre que se possa.
A estes ainda os desculpo, pois não sabem o que dizem. Mas mau mesmo são aqueles que dando uns toques, se acham supra-sumos da arte de tocar e compor. Que isto da veia artística, ou se tem, ou não há nada a fazer. E fica bem sempre a humildade, e a vontade de progredir sempre que se possa.
















